Fórum Gamers

[Review] Paper Mario: The Thousand-Year Door

0 Membros e 1 Visitante estão vendo este tópico.

Online Baha

  • Gamers
  • Petabyte
  • ******
    • Posts: 3.398
  • Cientista maluco
    • Ver perfil


Lançado originalmente em 2004 para o Game Cube, Paper Mario: The Thousand-Year Door é o segundo jogo da franquia que começou no Nintendo 64.

Enredo

Background

Paper Mario 2 (como vou chamá-lo pelo restante do review para simplificar) começa com uma cena de prólogo na qual a Princesa Peach está visitando a cidade portuária de Rogueport. Lá ela encontra uma pessoa misteriosa que a entrega uma caixa que só pode ser aberta por alguém de coração puro, e ao abri-la a cena termina.



Quando o jogo inicia de fato, Mario e Luigi estão relaxando em casa, quando recebem uma carta de Peach contendo um mapa dos arredores de Rogueport. Não perdendo tempo, Mario decide ir até lá em busca de aventuras, mas chegando ao lugar descobre que a princesa desapareceu e há um grupo de vilões chamados X-Nauts ameaçando a população e procurando obsessivamente por "Crystal Stars". Com esse pontapé inicial, ele começa a conhecer a região e desvendar os misteriosos segredos daquela cidade, construída sobre ruínas que segundo a lenda escondem um grande tesouro...

Comentários

Seguindo a mesma fórmula do primeiro jogo, Paper Mario 2 foca sua narrativa em acontecimentos simples, uma missão com progressão episódica e segmentada, e a prevalência de um humor leve, infantil e inocente nas situações. Referências e piadas são muito comuns e geralmente é tudo adorável, ou pelo menos inofensivo.



O pano de fundo da história principal, por outro lado, é surpreendentemente mais pesado que o restante das situações e da ambientação, principalmente perto do final.

Como de costume, Mario vai aos poucos encontrando outros personagens que se juntam a ele na aventura. Cada um tem sua personalidade e seu histórico naquela região, mas as motivações na aventura geralmente se resumem a gratidão por Mario tê-los ajudado com alguma questão pessoal.



Nesse sentido, o principal atrativo da história do jogo é a ambientação e a descoberta de cada localidade, com seus personagens e eventos bizarros e engraçados, mesmo que alguns clichês extremamente batidos sejam usados em sua forma mais simplória aqui e alí.

Gráficos

O estilo gráfico de Paper Mario 2 segue exatamente a mesma linha do primeiro jogo, com personagens e cenários feitos com papel, papelão, cartolina e afins, cheio de efeitos de transição baseados em coisas sendo dobradas, amassadas e enroladas.



As principais melhorias oferecidas pelo game cube são a qualidade das texturas e a quantidade de elementos na tela. Esse último aspecto é aliás algumas vezes usado de forma extrema, com centenas de personagens e objetos na tela ao mesmo tempo em alguns eventos específicos. Na maioria das vezes isso serve mais como uma demonstração de algo que seria impossível no Nintendo 64 do que alguma adição relevante para o gameplay.

Tudo é muito colorido e agradável, com personagens diversificados e cheios de personalidade, mas eu senti que alguns dos personagens de pouca importância que foram criados especificamente para esse universo ficaram com uma qualidade artística meio destoante do restante, parecendo algo mais amador e menos inspirado. Já os seres clássicos estão todos extremamente bem representados, com goombas, koopas e diversos outros inconfundíveis e em versões variadas.



O jogo roda a 60 fps constantes, o que dá uma fluidez muito agradável a tudo.

No emulador, porém, por causa da forma como os modelos são feitos (basicamente uma superfície simples com a textura do personagem em cima) eles não escalam bem para altas resoluções, com elementos ficando borrados de forma muito aparente em TVs muito grandes e com resolução muito alta.

Nada que não se aplique a qualquer jogo 2D emulado, mas felizmente eu consegui pegar um pack de texturas em altíssima resolução para tudo, incluindo personagens, cenários e interface, me permitindo jogar em 4K com extrema nitidez e suavidade nos detalhes de tudo, sem comprometer em nada o estilo artístico original. Não só isso, mas ele me permitiu trocar os ícones dos botões pelos do controle de XBOX que eu estou usando, evitando confusões!



Todas as screenshots desse review, aliás, foram tiradas por mim com esse pack aplicado.

Som

A parte sonora é cheia de músicas alegres e energéticas tradicionais na franquia, mas exceto por algumas contendo samples dos grandes clássicos, bem poucas chamaram a atenção, e tem uma ou outra que não é grande coisa de fato.



Os efeitos sonoros também são cartunescos e exagerados, mas foram bem escolhidos e nada é efetivamente irritante.

Gameplay

Exploração

A exploração do jogo segue os mesmos moldes do primeiro Paper Mario, com uma visão lateral em cenários 3D. Há algumas mudanças de direção da câmera, mas todas nesse padrão. Também não há nada de incomum no modo como você interage com os NPCs, vende e compra.



Sendo um jogo do Mario, ele é capaz de pular e isso é utilizado para várias finalidades, incluindo exploração e resolução de puzzles. Diversos cenários, aliás, são construídos quase como em um jogo de plataforma 2.5D.

Durante a exploração você também vai utilizar as diferentes habilidades dos membros do seu grupo para acessar objetos distantes, revelar segredos no cenário e outras situações. Mario também tem habilidades variadas que vão sendo obtidas no decorrer do jogo, e uma boa parte brinca com a temática de papel do jogo.



O jogo segue uma estrutura episódica (literalmente dividido em capítulos, inclusive), com uma nova localidade ficando disponível e geralmente sendo composta por uma cidade, uma região explorável e uma dungeon, tudo ligado por uma quest. Mas o jogo varia bastante a execução dessa estrutura. Em uma ocasião a dungeon pode ser trocada por um torneio, enquanto em outra a área explorável pode dar lugar a um longo evento guiado.

Esses capítulos variam em qualidade. Um em particular une uma ideia muito interessante com uma execução absolutamente irritante, exigindo um excesso de backtracking sem variedade que dá nos nervos. A maioria tem um ritmo bem sólido, porém. Ao final de cada um, você consegue uma Crystal Star.



Entre cada capítulo ocorre um pequeno interlúdio onde você controla um pouco a princesa Peach, e algumas vezes até o Bowser! Aqui ele foi relegado a um personagem secundário que tem bem pouco contato com você e passa a maior parte do tempo chegando atrasado nas situações e se frustrando por isso. Já a princesa tem um papel mais importante na história.

De qualquer forma, você vai retornar frequentemente para Rogueport, que funciona como um hub para a coisa e toda, e principalmente para as ruínas no seu subsolo, onde fica a lendária porta de mil anos, onde cada Crystal Star revela em seu mapa a localização da próxima.



Um dos elementos mais importantes do jogo é o sistema de badges. Ao ganhar níveis você pode escolher aumentar HP, FP ou BP. BP é usado para equipar badges, cada uma com seu custo, que é restituído ao desequipar alguma. Elas dão diversos efeitos, a maioria em combate, e permitem uma customização enorme das capacidades de Mario e seus aliados. É possível aumentar dano, conseguir novas habilidades, reduzir custos de habilidades, aumentar recompensas, entre diversos outros efeitos. As badges equipadas podem ser trocadas a qualquer momento e, fora upgrades pontuais no martelo e pulo obtidos durante a história, garantem toda a sua progressão. Fora de combate, existe por exemplo a badge que te permite eliminar inimigos fracos sem lutar.

A maioria das quests do jogo ficam catalogadas no "Trouble Center", uma espécie de equivalente da hunter's guild de Phantasy Star 4 ou Arc the Lad 2. Elas geralmente são fetch quests dos mais variados tipos. Algumas são bonitinhas ou engraçadas, mas outras são irritantes com todo o vai e vem que exigem. A maioria também tem recompensas bem irrelevantes, mas uma ou outra podem fazer bastante diferença.



O jogo também tem sua cota de minigames, com seu próprio cassino e alguns eventos diversos. Há colecionáveis espalhados e escondidos pelo mundo, que podem ser usados para comprar badges ou fortalecer seus aliados. Existe também o Pit of Trials, uma dungeon de 100 andares que é basicamente uma sala com um combate por andar, e algumas das melhores recompensas do jogo a cada 10 andares. Esteja preparado se quiser encarar: Toda vez que você entra, vai precisar começar no primeiro andar e lutar todos os combates no caminho, não há save points e você só tem uma chance de sair a cada 10 andares. Se der sorte, você pode encontrar um mover em um andar. Esse personagem te dá a oportunidade de (pelo preço certo) pular alguns andares ou escapar da dungeon. Os últimos andares possuem os inimigos mais poderosos do jogo, alguns exclusivos dessa dungeon.

Todos os inimigos são visíveis nos cenários, sem encontros aleatórios. Mario pode pular neles ou dar uma martelada, para já começar o combate fazendo um ataque, mas também pode ser pego por um ataque inimigo.



Combate

O combate de Paper Mario 2 segue o mesmo conceito básico do jogo anterior. As batalhas ocorrem em um palco, com visão lateral. O combate é por turnos, sendo um turno seu, no qual Mario e o aliado agem (e você pode inverter a ordem no começo do turno) e um turno dos inimigos, em que cada um deles age. Seus ataques contêm os timed hits, introduzidos lá atrás em Super Mario RPG, em que você pode apertar o botão no momento em que seu ataque vai atingir o inimigo para que ele tenha um efeito mais poderoso.

Inimigos possuem algumas características às quais você deve ficar atento. Inimigos espinhosos vão machucar personagens que tentarem pular neles, por exemplo.



As Crystal Stars que você possui te dão níveis em um medidor de "star power", que permite usar alguns ataques especiais muito poderosos.

Uma novidade no combate aqui é o conceito da plateia. Como mencionado, as batalhas acontecem em um palco. Existe uma plateia assistindo, e são os aplausos dela que recuperam seu star power. Para conseguir aplausos, você pode acenar para a plateia, executar bem seus ataques e defesas, e executar MELHOR seus ataques, com os stylish moves, que ocorrem ao apertar o botão em uma janela secreta de tempo durante um ataque. Além disso algumas vezes alguém da plateia pode tentar sabotar combates, jogando algo em você ou nos inimigos, que pode ser um item ou machucar. Isso varia com a composição da plateia, que é aleatória a cada combate. Mais inimigos na plateia aumentam as chances de tentarem te sabotar, toads costumam te dar itens e certos outros seres sabotam inimigos, ou todo mundo.



Paper Mario 2 é um jogo de números pequenos, os danos causados por um único ataque raramente chegam aos dois dígitos, e a variedade de desafios da progressão ocorre mais por combos de características especiais do que apenas por aumento bruto de atributos.

De qualquer forma, os combates são muito divertidos e fluem bem, mas raramente são desafiantes, especialmente quando você começa a se acostumar com o timing dos ataques e defesas. A plateia é algo que você também não vai prestar muita atenção ou lembrar que existe, se preocupando apenas em lutar bem.



Conclusão

Paper Mario: The Thousand-Year Door é um sucessor digno para o primeiro, que pega todos os bons elementos dele e expande de forma sensata. O combate é agradável e a progressão é divertida na maior parte do tempo, com seus momentos engraçados. Ele nem sempre acerta no ritmo e em alguns eventos, mas tem bastante conteúdo e faz a jornada valer a pena.

O jogo contabiliza tempo, mas por causa de algum bug do emulador o contador ficou o tempo todo em 99:59 no meu save. Como eu joguei ele em intervalos muito picados ao longo de muito tempo, principalmente durante a primeira metade do jogo, também não consigo estimar de cabeça a duração, mas me pareceu médio pela quantidade de conteúdo, algo entre 30 e 50 horas.

Galeria de screenshots