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[Review] Ys Seven

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Offline Baha

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Lançado para o PSP originalmente em 2009, Ys Seven chegou ao PC em 2012, curiosamente apenas na China. O lançamento internacional no PC só veio a ocorrer em 2017 via Steam, e é essa a versão usada para esse review.

Enredo

Background

Ys Seven, que até o momento (antes do lançamento de YS 9) é o último na cronologia interna das histórias, começa com a chegada de um navio trazendo Adol e seu amigo Dogi à capital de Altago, uma terra onde eles buscam encontrar novas aventuras. Essa região é lar de gigantescas criaturas conhecidas como "titanos", e vem sofrendo com o aumento da incidência de desastres e acontecimentos misteriosos.



Mal tendo tempo de conhecer a cidade, eles já se envolvem em uma confusão com guardas locais e acabam chamando a atenção do rei, que conhecendo a já crescente fama de Adol, oferece um trabalho de reconhecimento  em uma ruína revelada por um recente terremoto.

O que Adol encontra lá acaba deixando-o inescapavelmente envolvido com o destino de Altago, e mais uma grande aventura tem início...



Comentários

Ys é uma série que sempre apresentou sua narrativa de forma razoavelmente minimalista, com eventos concisos e não muito frequentes, deixando o foco maior para o gameplay.



Não dessa vez. Ys Seven tem um desenvolvimento de enredo muito mais avançado e detalhado que qualquer jogo anterior da série, cheio de eventos, cenas e diálogos. A quantidade de acontecimentos relevantes na história central também é bem maior e gera uma narrativa mais extensa se comparado ao que havia até então, trazendo também alguns twists e uma progressão de escala mais pesada.

Toda essa densidade narrativa aproxima muito mais o jogo da estrutura de JRPGs tradicionais, como Final Fantasy. O jogo conta com algumas cidades cheias de NPCs para conversar e situações para presenciar, incluindo quests opcionais. A parte de "exploração social" do jogo é a mais desenvolvida da série até o momento, pois mesmo os jogos com mais diálogo no passado costumavam apresentá-lo quase todo em eventos obrigatórios da história central, diretamente ligados ao seu avanço linear na progressão do jogo.



Isso é muito acentuado pelo fato de que agora Adol não viaja mais sozinho, mas com um grupo, pois é frequente a interação desses personagens com os eventos.

Falando no grupo, os personagens são bacanas, mas em sua maioria bem básicos e seguindo estereótipos esperados para esse tipo de história. Eles interagem bastante com os eventos importantes quando estão presentes, mas não muito entre si.



Adol continua mudo, como sempre, tendo suas falas substituídas por um "narrador" descrevendo que ele disse algo... Continua tão irritante quanto sempre foi, mas a essa altura já é algo tão tradicional que eu duvido que isso venha a ser abandonado algum dia. Felizmente a presença do grupo permite que a maioria das interações esperadas nos diálogos mais desenvolvidos venha de algum deles e permita que tudo flua de forma adequada.

Gráficos

Visualmente Ys Seven é bastante caprichado, levando em conta suas origens como um jogo de PSP e o fato de não ter recebido nenhum retrabalho visual profundo depois.



A versão PC tem a vantagem de ter suporte a até 4K e 60fps, e os assets leves permitem que isso seja mantido estável independente do que esteja ocorrendo na tela.

Essa é a primeira vez que um jogo da série é projetado desde o início com a intenção de ser inteiramente poligonal, e o resultado chega a ser impressionante considerando as limitações do PSP, que era mais fraco que o PS2 em alguns aspectos.



Os modelos dos personagens são bons e bem texturizados, dado o claro esforço para fazê-los funcionar com a baixa contagem poligonal, e os cenários são variados e coloridos, apesar de apresentarem eventuais texturas mais borradas e simplórias. A interface, incluindo os retratos, na versão PC foi atualizada para se adaptar bem a altas resoluções e o resultado é muito satisfatório.

Personagens e inimigos possuem diversas animações para as diferentes skills, com vários efeitos visuais incluindo brilho e partículas. Cada arma distinta é devidamente modelada e exibida quando equipada.



Som

Como já é tradição na série, a trilha sonora é muito boa. Eu achei que dessa vez houve menos músicas que eu poderia considerar marcantes, com algumas pendendo para um lado mais genérico. Ainda assim não me lembro de nada irritante.



Os diálogos não são dublados, mas os personagens possuem algumas poucas frases usadas durante o gameplay, incluindo Adol!

Gameplay

Exploração

Ys Seven é o primeiro jogo da "fase moderna" da série. Em termos de gameplay a mudança mais profunda é a introdução de um grupo de personagens para você controlar. Se YS Origins havia experimentado utilizar personagens variados no lugar de Adol, aqui temos vários atuando ao mesmo tempo!



Seu grupo pode ter até 3 personagens ativos, dos quais Adol é obrigatório. No começo a história trata de trazer e tirar pessoas para manter seu grupo dentro desse limite, mas não demora para que você possa gerenciar isso pessoalmente.

Na prática o jogo passa a funcionar de forma muito parecida com Secret of Mana, com você controlando um dos personagens ativos, podendo trocar a qualquer momento, e o computador cuidando dos outros.



Nas cidades e área seguras o jogo não funciona de forma muito diferente dos anteriores. Você pode explorar, conversar com as pessoas, comprar e vender, gerenciar seu inventário e as skills dos personagens.

Ys Seven possui um sistema de crafting bem simples, permitindo sintetizar itens usando ingredientes nas lojas. Alguns itens também podem ser comprados, mas é mais barato sintetizá-los se você tiver seus componentes. Outros são obtidos exclusivamente via síntese, incluindo os equipamentos mais poderosos.



Altago é explorável através de diversas pequenas áreas interconectadas, além das dungeons. Essa estrutura é a mesma desde sempre na série. Espalhados pelas regiões há pontos de coleta de materiais usados para síntese. São veios de minério, fontes de água, pilhas de madeira, etc.

É possível salvar o jogo em qualquer lugar que não seja uma batalha contra um boss, e há monumentos espalhados pelo mundo que curam completamente seu grupo e também servem de pontos de fast travel. A partir do momento em que o fast travel fica disponível ele pode ser usado de qualquer lugar, e você pode escolher um desses monumentos como destino.



Diversas dungeons também estão presentes, cheias de combates e alguns puzzles. À medida que progride no jogo seu grupo vai ganhar alguns itens que afetam suas capacidades de mobilidade e são necessários para conseguir acesso a determinados locais.

A maior parte do conteúdo opcional do jogo está relacionado às quests que você pode conseguir com as pessoas nas cidades. Algumas são fetch quests bem simplórias envolvendo coletar materiais, mas há ainda 3 titanos a serem mortos que parecem superbosses impossíveis na primeira vez em que são encontrados.



Combate

O combate é onde a maioria das mudanças de gameplay estão focadas. Sendo um ActionRPG, YS Seven tem o combate diretamente integrado à exploração, e a jogabilidade é toda bastante ágil e muito agradável. Aqui o jogo introduz diversos sistemas que atuam ao mesmo tempo de forma a tornar o combate mais profundo.

É possível rolar, uma habilidade muito importante para desvio e muito útil para percorrer grandes distâncias mais rápido.



Cada arma equipável disponibiliza uma skill ao personagem. Skills são usadas gastando SP, que é preenchido atacando, principalmente com o ataque carregado, e sobem de nível com o uso até no máximo o nível 10. Após o primeiro nível o personagem aprende a skill e pode usá-la mesmo com outra arma equipada. Você pode definir até 4 skills para serem acessadas durante os combates com combinações de L + os botões principais.

Você também tem a barra de EXTRA, que enche bem devagar e pode ser acelerada com o uso de skills. Uma vez cheia ela pode ser gasta para usar uma skill especial muito poderosa.



Não existe aqui o clássico pedra-papel-tesoura elemental, mas há um equivalente com tipos de ataques, que podem ser de corte, perfuração ou concussão. Cada personagem tem armas de um determinado tipo, com a exceção sendo Adol, que ganha flexbilidade sendo capaz de conseguir espadas de cada um dos 3 tipos e se equipar de forma mais adequada para complementar o grupo.

Há alguns status negativos e os diversos inimigos têm uma boa variedade de comportamentos, com posicionamento e desvios sendo bem importante nos combates.



A presença de seus 3 personagens torna tudo mais frenético. É possível setar a IA do grupo para complementar sua estratégia da forma que considerar mais adequada, mas geralmente eles vão te ajudar a bater e usar skills próprias quando seu personagem controlado também usar alguma. O mais importante nesse sentido é ter uma formação que lide bem com as fraquezas de cada inimigo da região. Além disso cada personagem no grupo ativo concede um bônus geral a todos em algum aspecto. Seus personagens controlados pela IA são muito bons em evitar tomar dano, e nunca vão cair em combate em condições normais, mas vão parar totalmente de atacar se ficarem com 1 de HP.

Os chefes são geralmente enormes e representam um desafio em uma escala totalmente diferente de quaisquer inimigos normais no mesmo ponto do jogo. Na dificuldade normal alguns podem ser razoavelmente desafiantes, mas sua ampla disponibilidade de itens de cura e a possibilidade de grindar alguns níveis torna tudo administrável e até bem fácil em algumas ocasiões, apesar de que é muito mais satisfatório quando você aprende a explorar seus padrões e evitar apanhar ao invés de derrotá-los na base da força bruta. Para quem não se contentar, há as dificuldades hard e nightmare.



Conclusão

Ys Seven é um excelente jogo, que inaugura em grande estilo a era moderna da série. Apesar das diversas mudanças, sua jogabilidade continua tão agradável quanto sempre e sua história mais densa não exagera ao ponto de atrapalhar o ritmo do jogo. O progresso em seus aspectos técnicos é notável, mesmo diante das limitações de sua plataforma original que foi o PSP.



Ele é claramente maior e mais ambicioso que os anteriores, e isso se reflete em sua duração. Minha trajetória bastante completa pelo jogo todo na dificuldade normal contabilizou mais de 35 horas totais no save.

Galeria de Screenshots




Offline Strife

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Jogão demais, um dos melhores da série. Mas ele é anterior ao Ys VIII?


Offline Baha

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Segundo a wiki, cronologicamente ele vem depois de YS VIII.